Era praia. Eu e alguns dos meus numa festa que nem era pra gente. Choveu, molhou as sandálias, os cabelos e as blusas brancas. E a gente dançou espremido embaixo do toldo. Voltamos caminhando pela areia alternando momentos de introspecção e de interações festivas. Aquela paisagem do sol nascendo dentro de um marzão a perder de vista foi a primeira coisa que eu vi no ano novo. Um bom começo...
No dia seguinte, quando eu acordei, meus dois amigos estavam conversando deitados na cama. Me juntei a eles. E falamos das coisas que gostamos de falar. E foi bom e renovador, como todo primeiro dia do ano deve ser.
Tive um ano difícil. Bem difícil... E agora estou chegando aqui, no final dele, viva e inteira, como sempre acontece. Vendo que alguns metais se transformaram em ouro. Aconteceu a Alquimia...
Uma das coisas que desejo para o ano novo é que suma essa sensação constante de vácuo no estômago. É hora de preencher com músculos e sangue este espaço entre a minha garganta e o meu sexo. É exatamente neste pedaço do corpo que reside a nossa alma. E se eu sinto constantemente este roubo de ar, é porque minha alma me foge. Preciso dizer a ela que não posso ficar aqui sozinha...
Hora deste ciclo partir,
adeus.
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