Na minha última ida ao Rio, pra passar este réveillon, eu fiz umas farrinhas com um povo desconhecido, amigos de uma amiga minha. Numa destas farrinhas, um lual na Praia Vermelha, um cara começou a falar pérolas machistas sobre as mulheres. E eu comecei a reagir, inclusive explicando o significado da palavra misoginia... Era uma farrinha, o clima era de verão-alegria. E ríamos enquanto 'debatíamos' o assunto. Lá uma hora um outro cara virou pra mim e disse "vocês foram feitos um para o outro!" Rimos mais. E ele insistiu: "você precisa é de um homem bem machista...!". "Velho, para com isso, eu sou um pára-raio de homem machista!"- retruquei.
É... minhas duas únicas relações que atenderam pela alcunha de 'namoro' foram com Machistas Clássicos.
O saldo é sempre muito negativo.
Porque eu e eles falamos línguas completamente diferentes.
E numa lógica bem maluca, acho que viramos um 'desafio' um para o outro.
O saldo é sempre muito negativo...
Olha, Universo, eu não quero mais brincar desse negócio de 'ficar sozinha' não, viu?
Nem aquele outro negócio de 'relações sem nome'.
Eu quero namorar bonitinho; do jeito que planeja as coisas junto e vai para as festas de aniversário da família.
Mas não precisa mais ser um 'duelo de titãs'.
Estas minhas duas únicas relações que atenderam pela alcunha de 'namoro', tiveram coisas maravilhosas - apesar dos pesares.
Porque só em relações que atendem pela alcunha de 'namoro' é possível viver certas coisas; que são incríveis de tão boas. Que geram sensações inigualáveis, únicas, imperdíveis.
Nenhum outro tipo de relação é capaz de causar um nível tão intenso, tão completo, de intimidade.
Porque, numa pessoa só, a gente tem um amigo, um amante e um familiar.
Porque é delicioso ir se desnudando ao mesmo tempo que vai tendo acesso às caverninhas da outra pessoa.
Porque conviver é saudável.
Porque aprender a conviver pode ser extremamente divertido.
Porque caminhar ao lado de outra pessoa, neste nível de comprometimento, é uma das melhores experiências da existência humana.
Eu aprendi muito com os meus namorados Machistas Clássicos.
Aprendi sobre mim e sobre o que é tão diverso a mim.
Aprendi que 'não abandonar o barco na primeira dificuldade' é uma coisa muito valiosa.
Mas aprendi também, de uma vez por todas (espero), que algumas negociações não são possíveis.
Aprendi que desvirtuar a própria essência é o maior pecado que alguém pode cometer contra si mesmo.
Aprendi que mudanças estruturais levam tempo, e que só acontecem quando as verdades individuais mudam.
E que todo mundo preserva muito bem as suas 'verdades individuais', por isso se relacionar com uma pessoa com verdades muito diferentes das suas, é uma tarefa sem frutos bonitos.
Eu não sou boa gente o tempo todo. Até porque eu sei ferir com mestria, se eu me sentir ferida.
Mas eu sou uma moça boa de papo, companheira para sol e chuva, e produzo maravilhas na cama.
Um tanto voluntariosa, mas aberta a negociações.
Mas eu sou uma fêmea-sem-rédeas, e isso talvez seja o mais difícil.
Eu sou do mundo, e eu coloca a boca no mundo.
Eu não tenho modos, minha boca é suja, e eu não admito que desvalorizem os meus ideais.
Eu sou uma fêmea carente e sentimental que se diverte colocando a cabeça para matutar.
Eu vou analisar e tirar conclusões a respeito de tudo e de qualquer coisa.
Vou adorar debater sobre tudo; e vou definhar se isso não puder ser feito.
Eu vou defender com garras mortais o direito à minha individualidade.
E eu vou ser a mais fiel das amantes; mesmo que não pareça. Mesmo que a minha maneira de estar no mundo desestabilize os machos fracos que aprenderam que precisam controlar as suas damas.
Ninguém me controla.
Ninguém me manipula.
Ninguém me monitora.
Ninguém impõe o que eu devo fazer.
Ninguém coloca palavras em minha boca, até porque palavras são a minha especialidade.
Ninguém me pressiona.
Ninguém me fragiliza.
Homens machistas são fracos homens.
E eu sou uma mulher para os verdadeiros fortes.
3 comentários:
"Ninguém me controla
ninguém me manipula
Ninguém me monitora"
Bacana o escrito, mas acho que vc está muito na defensiva cara.
Ainda q eu entenda o fervor da criação no ato da escrita e ainda que eu seja feminista.
Abç
Wileyde Queiroz
"A Mulher Selvagem ensina às mulheres quando não se deve ser "boazinha" no
que diz respeito à proteção da expressão de nossa alma. A natureza selvagem sabe
que a "doçura" nessas ocasiões só faz com que o predador sorria. Quando a expressão
da alma está sendo ameaçada, não é só aceitável fixar um limite e ser fiel a ele; é
imprescindível. Quando a mulher age assim, não poderá haver intromissões na sua
vida por muito tempo, pois ela reconhece logo o que está errado e tem condições de
empurrar o predador de volta ao seu devido lugar. Ela já não é mais ingênua. Ela já
não é mais uma meta ou um alvo. E é esse o antídoto mágico que afinal faz com que a
chave pare de sangrar."
MULHERES QUE DANÇAM COM LOBOS, CAPITULO 2 -
Lisa,
O mais difícil é entender que a liberdade passa a ter um limite quando se tem alguém... tô te falando isso pq eu tenho uma alma tão livre, tão livre que vivo arranjando justificativas para dizer a culpa é do outro quando ele me amarra. Por outro lado, eu já percebi que quando cara não me coloca rédeas as coisas também não fluem... eu perco o tesão saca?? Aquela história dos opostos se atraem! Complicadíssimo!
A questão é o meio termo, cansativoooo quando temos dois extremos, mas acho minha querida que com esse para-raio aí, não vai ter muito jeito não... te falo por experiência própria! Você acaba se apaixonando justamente pelo desafio... e se cansa de novo... mas se não houver desafio, já já o interesse acaba!!
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