- O que você quer?
Nada.
Sou triste, profunda, intensa e macambúzia.
Tudo reverbera em mim com potências mais elevadas. Eu sinto muito. Sempre.
- O que você quer da vida?
- Quero morar em Berlim um dia.
- Mas e os planos até o final do ano?
- Quero ganhar dinheiro trabalhando com o que gosto; quero sentar na frente da TV, com a minha caixa de esmaltes, e pintar as unhas das mãos - e que isso seja um momento de extrema paz. Quero ter disciplina e concentração, para cumprir as minhas tarefas com louvor. Quero que meus cabelos sejam sempre bonitos. Quero, de vez em quando, sentir uma vontade tão intensa e primordial de dançar, que eu saia e dance, de saia rodada, no meio da roda, e que isso seja uma descarga elétrica potencializadora de toda energia produtiva que eu precisar. E que seja só isso, que isso seja em si o que baste. Quero uma casa sempre aconchegante. Quero silêncio. E aroma de incenso. Quero erês, caboclos e pombagiras falando através de mim. Quero rir do mundo, ao invés de me assustar com ele. Quero gostar, com muita tranquilidade, das pessoas - falo das pessoas de uma maneira geral, essas todas aí do mundo. Mas quero amar e cuidar de uma maneira atenta e especial o meu sangue e os meus amigos. Quero uma alegria sem arroubos; e quando o arroubo vier que ele seja um fim em si mesmo. Quero gostar da minha história e louvar minhas memórias.
- Quer mais alguma coisa?
- Posso terminar de responder daqui a pouco?
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domingo
sábado
Eu fui anêmica.
Acho que durante a infância toda (minha mãe acha que eu sou até hoje, mas não, mainha, eu não sou mais...).
Então eu sei de cor todas os alimentos que curam a anemia.
Fígado bovino é um deles.
(arght?)
Acho que durante a infância toda (minha mãe acha que eu sou até hoje, mas não, mainha, eu não sou mais...).
Então eu sei de cor todas os alimentos que curam a anemia.
Fígado bovino é um deles.
(arght?)
Eu fui no mercado e comprei fígado.
Meu irmão perguntou: "você gosta de fígado?!"
Meu irmão perguntou: "você gosta de fígado?!"
Eu fui uma criança que vivi sob intensa pressão emocional... (rs)
Porque não é que eu não gostasse de fígado, eu não gostava era de comer! (tirando iogurtes e Tubaína com biscoitos São Luis [Infância 80, última infância feliz]...).
Mas minha mãe, que não é nunca foi nunca será, de forno e fogão, foi se aprimorando na arte de cortar, temperar e preparar um bom fígado bovino! Para alívio dela e felicidade minha. Chegamos ao ponto d'eu pedir: COMPRA FÍGADO!!!
Porque não é que eu não gostasse de fígado, eu não gostava era de comer! (tirando iogurtes e Tubaína com biscoitos São Luis [Infância 80, última infância feliz]...).
Mas minha mãe, que não é nunca foi nunca será, de forno e fogão, foi se aprimorando na arte de cortar, temperar e preparar um bom fígado bovino! Para alívio dela e felicidade minha. Chegamos ao ponto d'eu pedir: COMPRA FÍGADO!!!
Então eu fui ao mercado e comprei fígado.
Nunca consegui cortar tão maravilhosamente fininho como mainha fazia... mas criei minha própria técnica de corte e modo de preparo.
E hoje eu cortei, temperei, fiquei com a mão lambuzada e fedorenta, cozinhei e comi.
Ficou bom!
Nunca consegui cortar tão maravilhosamente fininho como mainha fazia... mas criei minha própria técnica de corte e modo de preparo.
E hoje eu cortei, temperei, fiquei com a mão lambuzada e fedorenta, cozinhei e comi.
Ficou bom!
É só uma víscera bovina sanguinolenta, de cheiro forte e aspecto nojento.
Mas pra mim é ser pequena, magrela, amarela e anêmica de novo.
É ver minha mãe, OdeioENãoSouDoLar, na cozinha.
É como no dia que ela estava cozinhando, e eu na porta da área de serviço tagarelando enquanto me equilibrava no pedaço de quartzo rosa que segurava a porta, e eu caí. E eu não podia cair, porque eu estava me recuperando de uma cirurgia, e estava cheia de parafusos no quadril, e nesse dia eu achei que minha mãe tinha morrido por 3 segundos, mas eu estava de boa, porque aos 11 anos você ainda acredita que tudo dá sempre certo.
Mas pra mim é ser pequena, magrela, amarela e anêmica de novo.
É ver minha mãe, OdeioENãoSouDoLar, na cozinha.
É como no dia que ela estava cozinhando, e eu na porta da área de serviço tagarelando enquanto me equilibrava no pedaço de quartzo rosa que segurava a porta, e eu caí. E eu não podia cair, porque eu estava me recuperando de uma cirurgia, e estava cheia de parafusos no quadril, e nesse dia eu achei que minha mãe tinha morrido por 3 segundos, mas eu estava de boa, porque aos 11 anos você ainda acredita que tudo dá sempre certo.
Fígado bovino me lembra a casa que morei na infância e me lembra mainha na cozinha.
Fazia bem pro meu sangue, e agora acarinha a minha alma.
Ainda bem que eu aprendi a gostar de comer.
Porque COMIDA É LINDO!
Porque COMIDA É LINDO!
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é mesmo difícil eu ficar MESMO bêbada, porque eu bebo muito devagar.
mas a primeira porta da abertura de consciência dos psicoativos, sim, eu atravesso.
e é bom atravessá-la
pobre de quem só se conhece no terreno dos auto-controles...
mas a primeira porta da abertura de consciência dos psicoativos, sim, eu atravesso.
e é bom atravessá-la
pobre de quem só se conhece no terreno dos auto-controles...
daquelas informações que a gente teve contato uma vez na vida e nunca mais esqueceu, eu, uma vez, estudando teatro da grécia antiga, li que para Dioniso (o deus do vinho e do teatro), o estado de embriaguez era o verdadeiro eu.
quer saber?
eu até queria viver constantemente assim
eu até queria viver constantemente assim
mas me falta brio...
me resta a embriaguez branda de alguns finais de semana
me é suficiente.
é o que me leva a estar aqui, ao invés de tomada banho, passada alfazema, deitada na cama quase a dormir
por exemplo
já que o horário de verão acaba de começar e, por força das circunstâncias, vou ter que acordar daqui a pouco
por exemplo
já que o horário de verão acaba de começar e, por força das circunstâncias, vou ter que acordar daqui a pouco
(questiono: se alguém que não me conhece, que nunca ouviu a minha voz aguda fazendo piadas auto-depreciativas, levaria muito à sério algumas coisas que eu escrevo?
bem...
só os meus amigos leem o que eu escrevo
não há com o que eu me preocupar)
bem...
só os meus amigos leem o que eu escrevo
não há com o que eu me preocupar)
então
eu devia estar dormindo
e não desabafando para o etéreo, numa rede social...
eu devia estar dormindo
e não desabafando para o etéreo, numa rede social...
mas estou levemente bêbada
levemente corajosa
levemente de frente para mim mesma, sem pudores ou demais auto-controles
levemente corajosa
levemente de frente para mim mesma, sem pudores ou demais auto-controles
<<< quando a gente quer mais do que vem no prato, é foda >>>
quer outra informação passageira que me ficou pra sempre?
no meu curso para descobrir a minha palhaça (alguns atores fazem dessas coisas), um comando era uma constante:
- engole.
- engole.
qualquer coisa que lhe incomodasse.
qualquer exposição ao ridículo
qualquer limite ultrapassado
qualquer quebra da expectativa
qualquer dor, de qualquer ordem
qualquer limite ultrapassado
qualquer quebra da expectativa
qualquer dor, de qualquer ordem
- ENGOLE.
aprendi
mas nunca, nunca mesmo
me conformei com isso
me conformei com isso
ÀS VEZES O QUE A GENTE PRECISA É TACAR O PRATO COM COMIDA INSUFICIENTE, BEM NO MEIO DA CARA DE QUEM NOS OFERECEU.
sempre desconfiei:
o meu palhaço é um Bufão.
o meu palhaço é um Bufão.
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deve ter havido um acordo muito sério entre mim e deus (ou algo que o valha) nesta encarnação, para que nada, nada mesmo, nadinha mesmo mesmo, em qualquer área da vida, que eu criasse expectativa, acontecesse.
basta eu querer, pra não acontecer (quedê aquele ditado cretino que ensinam pra gente?).
a mim só é ofertado as surpresas.
na minha vida só floresce o que quer florescer, independente do meu engajamento, planejamento ou vontade (quem é que manda na porra da minha vida, afinal?!)
basta eu querer, pra não acontecer (quedê aquele ditado cretino que ensinam pra gente?).
a mim só é ofertado as surpresas.
na minha vida só floresce o que quer florescer, independente do meu engajamento, planejamento ou vontade (quem é que manda na porra da minha vida, afinal?!)
chega a me dar suor frio quando eu desejo;
seja coisa ou seja gente.
não posso desejar, pronto.
caceta!
seja coisa ou seja gente.
não posso desejar, pronto.
caceta!
já me retei?
já.
já mandei deus ou algo que o valha à merda?
já.
já disse que machuca este pobre coração, não ter sentido nunca a sensação inenarrável de ver um desejo realizado?
menina... eu sou muito boa nesse negócio de ser dramática; até conversando com minhas divindades...
já.
já mandei deus ou algo que o valha à merda?
já.
já disse que machuca este pobre coração, não ter sentido nunca a sensação inenarrável de ver um desejo realizado?
menina... eu sou muito boa nesse negócio de ser dramática; até conversando com minhas divindades...
as coisas boas e bonitas que acontecem na minha vida,
e as pessoas boas e bonitas que aparecem na minha vida querendo ficar,
vêm quando eu não estou nem prestando atenção.
e as pessoas boas e bonitas que aparecem na minha vida querendo ficar,
vêm quando eu não estou nem prestando atenção.
isso já se repetiu tanto e tanto e tão exaustivamente, que não posso negar que é um padrão.
vou me inspirar em Leminski e tatuar no braço:
"distraídos venceremos"
vou me inspirar em Leminski e tatuar no braço:
"distraídos venceremos"
fim
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quarta-feira
Eu conheci poucos, muito poucos, filhos de
Ogum. Mas foram os homens mais gentis, e calmos, e doces e carinhosos
que eu conheci na minha vida. O que sucedeu então a esta filha de Oyá?
Paixão na certa. Era outra imagem que eu tinha... esperava
que fossem mais bélicos (porque, sim, sou dessas que acreditam que
arquétipos de orixás influenciam personalidades). Talvez sejam - mas vai
ver sabem escolher bem as suas guerras.
Eu nunca parei pra ler as lendas de Ogum. Nunca sabia direito se era terça ou se era quinta o dia de vestir azul. Ogum nunca entrou nas minhas alegorias. Para ser bem exata, nunca lhe dirigi a palavra.
Mas creio que não seja ciumento.
E creio que agora eu deva aprender mais sobre ele.
Por algum motivo xs cariocas amam São Jorge (ai... o sincretismo... mas, ok, não é hora de discuti-lo). Porque eu, recém chegada, tateando ainda receosa e tímida as paredes da cidade, penso que me aproximar dele pode ser uma boa forma de ser bem recebida.
Afinal, filhos de Ogum sempre souberam como cuidar bem de mim.
OGUNHÊ!
Eu nunca parei pra ler as lendas de Ogum. Nunca sabia direito se era terça ou se era quinta o dia de vestir azul. Ogum nunca entrou nas minhas alegorias. Para ser bem exata, nunca lhe dirigi a palavra.
Mas creio que não seja ciumento.
E creio que agora eu deva aprender mais sobre ele.
Por algum motivo xs cariocas amam São Jorge (ai... o sincretismo... mas, ok, não é hora de discuti-lo). Porque eu, recém chegada, tateando ainda receosa e tímida as paredes da cidade, penso que me aproximar dele pode ser uma boa forma de ser bem recebida.
Afinal, filhos de Ogum sempre souberam como cuidar bem de mim.
OGUNHÊ!
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Eu não ando só.
Não é uma metáfora.
Eu
não
ando
só.
Não é uma religião também.
Não sigo religião alguma.
Nem mesmo esta, de onde vêm estes que não vejo, não entendo, não explico mas, mesmo assim, e com toda a intensidade, amo.
Não sou também "Deus Também" (ou sou... afinal este texto está com muitos 'nãos'...).
Mas daqui, de onde posso falar com certeza, só posso afirmar que sou um espírito sem lembranças, encarnado neste mundo que não gosto (tá... às vezes eu gosto.)
Gosto de vê-los mais como amigos, e me desculpe se isto soa como desrespeito ou heresia.
Mas é verdade.
Gosto de vê-los mais como irmãos. Como companheiros da viagem.
É certo que os demando muitos pedidos, e isto não parece tanto com uma amizade equilibrada, mas os retribuo do jeito que posso, do jeito que sei.
Este texto é uma forma.
Eu não ando só!
Porque não quero e porque não preciso.
Pois há uma mulher vermelha sempre ao meu lado. Desde antes que eu nasci. Ela me faz ser esta substância sem matéria que não se pega, não se guarda e não se molda. Eu sou vento. Eparrei, Iansã!
Há um velho curvado que não mostra o rosto, da cabeça aos pés coberto de palhas. Ele me ampara. Ele me nina. Ele me cuida. ELE ME CURA. Omulú anda comigo e é ele próprio quem me cura. Atotô!
Não foi Nanã que me escolheu.
Fui eu que escolhi ela.
Eu precisava tanto de silêncio!...
(onde mais eu ia achar?)
Eu tinha uma birra imensa com Oxum. Aqui do meu jeito herege de lidar com os orixás. Eu achava desleal. Eu morria de inveja (em termos mais técnicos pode ser chamado de Sérios Problemas de Autoestima). Mas sabe o que uma inveja curada vira? Vira uma Admiração Transformadora.
Então foi neste caminho de cura que Oxum entrou na minha vida. Um dia ela me puxou pelo braço e disse "tá bom filha de Iansã, chata, para de apontar essa porra dessa espada pra mim e senta aqui que eu vou te dar umas coisas!" (mentira que ela não falou assim... [risos] é que, na moral, é muita sinuosidade, eu não sei reproduzir!)
Mas, olha, Oxum não entrou na minha vida porque ela perdeu a paciência (que falta de paciência é um charme reservado à nós, né, Mãe? rs).
Oxum entrou na minha vida porque ela viu que eu precisava.
Foi um ato motivado pelo desejo de ver o outro feliz.
Quando isto não representa nenhum prejuízo para quem está ofertando a ajuda, creio que pode ser chamado de Um Ato de Amor.
O pedaço mais longo do texto foi para falar de Oxum. Acho que isto alimenta a vaidade dela (rs). E nem foi de caso pensado nem nada, apenas fui escrevendo, escrevendo, escrevendo. 'Tá vendo, Rainha, eu também fico boba, encantada e perco a hora quando olho pra você...
(um beijo de batom vermelho na ponta do seu espelho!)
Eu sei que este texto parece literatura, mas não se engane.
É um Testemunho.
A minha saudação de amor àqueles que caminham comigo.
Povo da Rua, Caboclos, Êres, minha Iansã, meu Omolú, minha Nanã, minha Oxum.
É gente demais para sequer passar pela minha cabeça que um dia eu andei, ou vou andar só!
ASÈ!
Não é uma metáfora.
Eu
não
ando
só.
Não é uma religião também.
Não sigo religião alguma.
Nem mesmo esta, de onde vêm estes que não vejo, não entendo, não explico mas, mesmo assim, e com toda a intensidade, amo.
Não sou também "Deus Também" (ou sou... afinal este texto está com muitos 'nãos'...).
Mas daqui, de onde posso falar com certeza, só posso afirmar que sou um espírito sem lembranças, encarnado neste mundo que não gosto (tá... às vezes eu gosto.)
Gosto de vê-los mais como amigos, e me desculpe se isto soa como desrespeito ou heresia.
Mas é verdade.
Gosto de vê-los mais como irmãos. Como companheiros da viagem.
É certo que os demando muitos pedidos, e isto não parece tanto com uma amizade equilibrada, mas os retribuo do jeito que posso, do jeito que sei.
Este texto é uma forma.
Eu não ando só!
Porque não quero e porque não preciso.
Pois há uma mulher vermelha sempre ao meu lado. Desde antes que eu nasci. Ela me faz ser esta substância sem matéria que não se pega, não se guarda e não se molda. Eu sou vento. Eparrei, Iansã!
Há um velho curvado que não mostra o rosto, da cabeça aos pés coberto de palhas. Ele me ampara. Ele me nina. Ele me cuida. ELE ME CURA. Omulú anda comigo e é ele próprio quem me cura. Atotô!
Não foi Nanã que me escolheu.
Fui eu que escolhi ela.
Eu precisava tanto de silêncio!...
(onde mais eu ia achar?)
Eu tinha uma birra imensa com Oxum. Aqui do meu jeito herege de lidar com os orixás. Eu achava desleal. Eu morria de inveja (em termos mais técnicos pode ser chamado de Sérios Problemas de Autoestima). Mas sabe o que uma inveja curada vira? Vira uma Admiração Transformadora.
Então foi neste caminho de cura que Oxum entrou na minha vida. Um dia ela me puxou pelo braço e disse "tá bom filha de Iansã, chata, para de apontar essa porra dessa espada pra mim e senta aqui que eu vou te dar umas coisas!" (mentira que ela não falou assim... [risos] é que, na moral, é muita sinuosidade, eu não sei reproduzir!)
Mas, olha, Oxum não entrou na minha vida porque ela perdeu a paciência (que falta de paciência é um charme reservado à nós, né, Mãe? rs).
Oxum entrou na minha vida porque ela viu que eu precisava.
Foi um ato motivado pelo desejo de ver o outro feliz.
Quando isto não representa nenhum prejuízo para quem está ofertando a ajuda, creio que pode ser chamado de Um Ato de Amor.
O pedaço mais longo do texto foi para falar de Oxum. Acho que isto alimenta a vaidade dela (rs). E nem foi de caso pensado nem nada, apenas fui escrevendo, escrevendo, escrevendo. 'Tá vendo, Rainha, eu também fico boba, encantada e perco a hora quando olho pra você...
(um beijo de batom vermelho na ponta do seu espelho!)
Eu sei que este texto parece literatura, mas não se engane.
É um Testemunho.
A minha saudação de amor àqueles que caminham comigo.
Povo da Rua, Caboclos, Êres, minha Iansã, meu Omolú, minha Nanã, minha Oxum.
É gente demais para sequer passar pela minha cabeça que um dia eu andei, ou vou andar só!
ASÈ!
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Eu faço drama. Muito.
Fundamentalmente nos roteiros de amor.
Carente, insegura, com uma necessidade contraproducente de auto preservação, arredia, complexada, compleeeeexa.........
Choro da cara inchar e escorro pela parede.
Fico macambúzia, solitária, faleço.
Eu faço mesmo muito drama.
O que eu não esperava era que fosse exatamente este o segredo para eu zerar cada drama de amor mal amado, mal vivido, mal resolvido ou parcamente correspondido.
Eu espiava de canto de olho alguns seres humanos arrastando corrente por aí, marejando os olhos pra falar de ex dos tempos de colégio, enquanto eu, orgulhosamente, nunca vivi um drama com rebarba de outro.
Eu não carrego fantasmas.
Porque sofro.
Até o talo.
Com o defunto.
Ainda quente.
Agora eu tinha um cenário perfeito para um drama daqueles...!
Amantes desafortunados que tiveram o romance interrompido por uma viagem para longe e sem volta.
Mas eu não posso parar.
Simplesmente não tenho como me dar ao luxo de morrer um pouquinho, como costumo fazer, até a ferida sarar.
Então eu acho que peguei o drama iminente e soquei ele numa gaveta.
Porque agora tem muita vida nova em cada esquina!
E uma saca de sementes que demandam braços dispostos e olhar alerta.
Definitivamente.
Não é hora.
De morrer.
Coloquei a saudade num saco e cada vislumbre de tristeza eu engulo; com choro e tudo.
Agora não. Agora eu não posso.
Agora eu não quero.
Mas vou deixar, viu...?
Lá uma hora, quando as coisas por aqui assentarem, quando for estabelecida alguma rotina, quando a vista começar a se acostumar com a paisagem, quando eu, auto-controladora que sou, sentir que a minha vida está novamente nas minhas mãos, vou deixar o drama-de-amor chegar.
Como uma avalanche.
Porque eu acredito que lutos bem vividos, além de serem momentos lindos, têm efeitos estupendamente poderosos.
(...!)
Fundamentalmente nos roteiros de amor.
Carente, insegura, com uma necessidade contraproducente de auto preservação, arredia, complexada, compleeeeexa.........
Choro da cara inchar e escorro pela parede.
Fico macambúzia, solitária, faleço.
Eu faço mesmo muito drama.
O que eu não esperava era que fosse exatamente este o segredo para eu zerar cada drama de amor mal amado, mal vivido, mal resolvido ou parcamente correspondido.
Eu espiava de canto de olho alguns seres humanos arrastando corrente por aí, marejando os olhos pra falar de ex dos tempos de colégio, enquanto eu, orgulhosamente, nunca vivi um drama com rebarba de outro.
Eu não carrego fantasmas.
Porque sofro.
Até o talo.
Com o defunto.
Ainda quente.
Agora eu tinha um cenário perfeito para um drama daqueles...!
Amantes desafortunados que tiveram o romance interrompido por uma viagem para longe e sem volta.
Mas eu não posso parar.
Simplesmente não tenho como me dar ao luxo de morrer um pouquinho, como costumo fazer, até a ferida sarar.
Então eu acho que peguei o drama iminente e soquei ele numa gaveta.
Porque agora tem muita vida nova em cada esquina!
E uma saca de sementes que demandam braços dispostos e olhar alerta.
Definitivamente.
Não é hora.
De morrer.
Coloquei a saudade num saco e cada vislumbre de tristeza eu engulo; com choro e tudo.
Agora não. Agora eu não posso.
Agora eu não quero.
Mas vou deixar, viu...?
Lá uma hora, quando as coisas por aqui assentarem, quando for estabelecida alguma rotina, quando a vista começar a se acostumar com a paisagem, quando eu, auto-controladora que sou, sentir que a minha vida está novamente nas minhas mãos, vou deixar o drama-de-amor chegar.
Como uma avalanche.
Porque eu acredito que lutos bem vividos, além de serem momentos lindos, têm efeitos estupendamente poderosos.
(...!)
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sexta-feira
A nossa vida é um livro incrível, de uma escritora ovacionada por público e crítica, que escreve coisas cult que viram best seller.
É o cotidiano, com sua dramaturgia extraordinária, que fornece sempre as histórias mais dignas de serem compartilhadas.
Os escritores são estes seres mágicos, que criam realidades inteiras como se fossem saídas de suas cabeças, apenas porque entendem com mestria a dinâmica novelesca o que é ser alguém que vive neste mundo.
E de todas as coisas, de todos os dramas, de todos os orgasmos múltiplos, a que mais gostamos de falar/escrever/cantar/dançar, é aquela que vem do encontro de um universo particular com outro. Mas quando é profundo ao ponto de entender-se que ali há algo que foge às repetições. É quando se agiganta, se destaca, quando há uma elevação potente que move tudo em nós e à nossa volta. É esta coisa comumente chamada de amor, de paixão, de enamoramento. O amor move. Porque é algo dançando dentro e em torno da gente.
(((psiu... não elucubremos agora sobre as desditas próprias dos relacionamentos! agora não... agora é a hora da magia alienada do encantamento)))
- Não era hora de encontros de alma, Berenice... - fala minha razão, que não tem nenhum talento para perceber bons roteiros.
Responde a minha pulsão insana, que é ferozmente alimentada por intensidade e drama:
- Para que melhor potencial criativo?
Um brinde às paixões súbitas, nas horas impróprias!
É o cotidiano, com sua dramaturgia extraordinária, que fornece sempre as histórias mais dignas de serem compartilhadas.
Os escritores são estes seres mágicos, que criam realidades inteiras como se fossem saídas de suas cabeças, apenas porque entendem com mestria a dinâmica novelesca o que é ser alguém que vive neste mundo.
E de todas as coisas, de todos os dramas, de todos os orgasmos múltiplos, a que mais gostamos de falar/escrever/cantar/dançar, é aquela que vem do encontro de um universo particular com outro. Mas quando é profundo ao ponto de entender-se que ali há algo que foge às repetições. É quando se agiganta, se destaca, quando há uma elevação potente que move tudo em nós e à nossa volta. É esta coisa comumente chamada de amor, de paixão, de enamoramento. O amor move. Porque é algo dançando dentro e em torno da gente.
(((psiu... não elucubremos agora sobre as desditas próprias dos relacionamentos! agora não... agora é a hora da magia alienada do encantamento)))
- Não era hora de encontros de alma, Berenice... - fala minha razão, que não tem nenhum talento para perceber bons roteiros.
Responde a minha pulsão insana, que é ferozmente alimentada por intensidade e drama:
- Para que melhor potencial criativo?
Um brinde às paixões súbitas, nas horas impróprias!
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quinta-feira
Todos os dias eu durmo e acordo e a vida está sempre comigo. Daqui há 3 meses faço 30 anos e as pessoas continuam me dando 22. Daqui há 1 mês eu volto pra universidade e isso faz eu me lembrar de quando eu tinha 19. Tem dias que eu fico muito confusa, ou muito triste, ou muito frustrada. Tem dias que me sinto animada, plena, ou apaixonada.
Quando eu entro no meu vale, no meu próprio vale particular onde todo o resto de mim reside, eu sou deus e isso não tem mais discussão!
Deus sempre foi meu pai e meu amigo.
Agora ele é minhas unhas pintadas de vermelho, ele é minha vontade de estudar Gênero, ele é o meu prazer de estar no palco, ele é o que eu sinto quando estou contando histórias para as crianças, ele é os meus medos olhados nos olhos, ele é as minhas inseguranças, ele é a minha falta de pudor em mudar sem seguir planos.
Eu li a Bíblia inteira, eu decorei versículos, cantei canções dentro de templos cristãos, li livros espíritas, saí do meu próprio corpo, voei, ouvi anjos, pedi conselhos pros Orixás, coloquei cristais na cabeceira da minha cama, estudei tarot, risquei com xingamentos os meus livros de Osho, sentei e chorei milhares de vezes.
Acreditar em Deus sempre foi tão natural para mim quanto dar descarga depois de fazer xixi.
PORQUE EU SOU DEUS TAMBÉM.
Quando eu entro no meu vale, no meu próprio vale particular onde todo o resto de mim reside, eu sou deus e isso não tem mais discussão!
Deus sempre foi meu pai e meu amigo.
Agora ele é minhas unhas pintadas de vermelho, ele é minha vontade de estudar Gênero, ele é o meu prazer de estar no palco, ele é o que eu sinto quando estou contando histórias para as crianças, ele é os meus medos olhados nos olhos, ele é as minhas inseguranças, ele é a minha falta de pudor em mudar sem seguir planos.
Eu li a Bíblia inteira, eu decorei versículos, cantei canções dentro de templos cristãos, li livros espíritas, saí do meu próprio corpo, voei, ouvi anjos, pedi conselhos pros Orixás, coloquei cristais na cabeceira da minha cama, estudei tarot, risquei com xingamentos os meus livros de Osho, sentei e chorei milhares de vezes.
Acreditar em Deus sempre foi tão natural para mim quanto dar descarga depois de fazer xixi.
PORQUE EU SOU DEUS TAMBÉM.
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quarta-feira
Eu sempre bati orgulhosa no peito, dizendo antes para mim, mas também para o mundo "eu sei me despedir!". Sei mesmo... Sou elegante, discreta, reservo apenas para os absolutamente íntimos as lamúrias eventuais. Escrevo bastante, é verdade, que é a minha forma de fruir a vida. Até já enlouqueci uma ou duas vezes, que ninguém é de pedra, e saídas do trilho são sempre histórias boas de contar. Mas, sim, é verdade, eu sei me despedir. Tenho é que aprender a florescer, mas isso é outra história, e o meu mapa astral nem favorece muito este item... Só que o importante é saber quando é a hora do adeus definitivo. Nem sempre é quando cabeça decide - é bom saber respeitar os sinais do coração.
So que aí
chega aquele momento
que não há mais o que fazer
.
Eu acho que a minha alma está faminta de inícios.
Porque, num pequeno intervalo, me colocou diante de portas que já deviam estar fechadas.
Mas creio que eu precisava de um respiro de carinho antes de acabar.
Porque a mágoa nunca é um bom adeus.
Então a vida, esta malandra, pega pela mão e diz "chegue aqui mais um pouquinho...". Para dar o último aconchego antes do fim.
Se você puder - e sim, isto é um conselho - nunca bata a porta com força. Nunca vá embora com dor. Se depois da raiva o mundo fizer um novo cruzamento de caminhos, aceite. É porque o enredo ainda não acabou. Mas também atenção para os sinais. Os de dentro, pois são os mais confiáveis. Um coração fortalecido é sempre o melhor conselheiro. E é ele que sempre sabe quando dizer 'já chega'. Um coração curado é sempre o melhor porta voz para uma despedida verdadeira.
Reencontros depois do fim podem ser uma das coisas mais bonitas...
Se você já limpou a casa, se você já se perfumou, se as janelas já estão abertas novamente e o ontem reaparece diante de sua porta, não digo que abra de pronto, porque nem sempre é uma coisa saudável, mas se surge o desejo leve (e note bem, eu disse 'leve', e isso é coisa que qualquer um é capaz de discernir); se surge o desejo leve... ora... abra!
Pode ser um reinício.
E pode ser um bonito, tranquilo, maravilhoso e genuíno
fim.
FIM
So que aí
chega aquele momento
que não há mais o que fazer
.
Eu acho que a minha alma está faminta de inícios.
Porque, num pequeno intervalo, me colocou diante de portas que já deviam estar fechadas.
Mas creio que eu precisava de um respiro de carinho antes de acabar.
Porque a mágoa nunca é um bom adeus.
Então a vida, esta malandra, pega pela mão e diz "chegue aqui mais um pouquinho...". Para dar o último aconchego antes do fim.
Se você puder - e sim, isto é um conselho - nunca bata a porta com força. Nunca vá embora com dor. Se depois da raiva o mundo fizer um novo cruzamento de caminhos, aceite. É porque o enredo ainda não acabou. Mas também atenção para os sinais. Os de dentro, pois são os mais confiáveis. Um coração fortalecido é sempre o melhor conselheiro. E é ele que sempre sabe quando dizer 'já chega'. Um coração curado é sempre o melhor porta voz para uma despedida verdadeira.
Reencontros depois do fim podem ser uma das coisas mais bonitas...
Se você já limpou a casa, se você já se perfumou, se as janelas já estão abertas novamente e o ontem reaparece diante de sua porta, não digo que abra de pronto, porque nem sempre é uma coisa saudável, mas se surge o desejo leve (e note bem, eu disse 'leve', e isso é coisa que qualquer um é capaz de discernir); se surge o desejo leve... ora... abra!
Pode ser um reinício.
E pode ser um bonito, tranquilo, maravilhoso e genuíno
fim.
FIM
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segunda-feira
Eu queria ser dessa gente que se alimenta do que existe no
lado de fora. Pois se existe uma única coisa constante sobre mim, é que se eu
estou na praça, a céu aberto, é porque tudo vai bem ao meu coração. E, nestes
momentos, a rua é minha! Eu a conheço, eu a escuto, eu a domino. Porque eu sou
do tipo de gente que venta pra dentro. Não se engane. Dentro de mim o ar nunca
para de mudar de direção. Sim, é cansativo. Mas há como fugir de si?
Mas a rua, ela, com seus apelos, seus anseios, sua fome;
ela, a rua, que é, em si, um torvelinho eternamente caótico, se eu não tiver
cuidado, me desespera. Eu não sou da rua. Eu sou de ‘da porta pra dentro’. Eu
preciso de silêncio como preciso de água.
Então se você me vir na rua, de sorriso farto e saia rodada,
tenha certeza: tudo vai bem. Tudo em paz. Tudo assentado no lugar. É porque os
meus pés estão firmes no chão. É porque minhas mãos estão macias. É porque as perguntas
calaram e dormiram. Então eu, que sou egoísta e sinto necessidade de manter as
coisas sob controle, posso finalmente me comunicar com o lado de fora. E nestas
horas a rua sempre me responde saltitante, como se dissesse “fico feliz de
estar aqui”. Então dançamos uma ou duas músicas, nos beijamos no rosto e eu
digo “até a próxima”.
Às vezes eu penso mesmo que gostaria de ser dessa gente que
se alimenta do que existe no lado de fora... Eles não parecem sempre mais
felizes? Não parece que a vida é sempre leve e o mundo gira sem lhes dar tontura?
Não parece que eles são tão disponíveis porque, afinal, não há nada que queiram
proteger ou concertar tanto dentro de si? Essa gente que se alimenta do que
existe no lado de fora, ao contrário de mim, que saro as feridas com a minha
saliva, vão buscar nos ruídos do mundo a sua cura. Não parece mais divertido?
Quase parece que eles não têm feridas; nem perguntas insistentemente sem
respostas; nem potes quebrados; nem calafrios sem explicação; nem carências;
nem pedidos mudos; nem demônios eloquentes que moram dentro das suas cabeças.
Parece que essa gente, que se alimenta do que existe do lado de fora, pode ser
considerada mais feliz, não é?
(mas também não é uma bobagem desmedida tentar medir ~~~felicidade~~~~ ?)
Pois então ela, a rua, não é a minha casa.
A visito quando quero celebrar.
Não para acalmar, não para esquecer, não para cuidar.
A rua é, apenas, o meu lugar de comemoração. De
agradecimento.
Logo depois, de volta, me recolho.
Torvelinho, ventania, tempestade.
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quinta-feira
Eu tava vindo pra casa agora, bem na muvuca do Forte de São Pedro, quando um cara olhou pra mim e comentou com o outro, com a maior cara de desdém deste mundo inteiro:
- Essas menininhas neo hippie, pós punk de butique...
Que diabo é neo hippie, pós punk (de butique)?!
OBS: Um beijo pra você que é chamada de 'menininha' aos 33.
- Essas menininhas neo hippie, pós punk de butique...
Que diabo é neo hippie, pós punk (de butique)?!
OBS: Um beijo pra você que é chamada de 'menininha' aos 33.
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Eu tenho uma mágoa com Iansã (se é que tem alguma lógica pessoas encarnadas sentirem mágoa de orixás... eu enfrento o medo de ser uma heresia, e me dou esse direito). [[[[esse texto não é indicado para agnósticxs]]]]
Iansã é a dona do meu ori.
Eu fico emocionada quando penso nisso.
É uma honra.
Eu, que recorro aos oráculos todas as vezes que estou numa confusão ou com muita dúvida, fui a um jogo de búzios porque precisava entender umas coisas que eu estava vivendo. Coisas que eu poderia decidir sozinha, mas como sou feliz sendo mística, resolvi ouvir o que os orixás tinham a me dizer.
E os orixás me disseram pra eu ficar; de uma situação que eu queria sair.
Que eu sentia que precisava fugir.
Eu fiquei.
Eu, que já tinha perdido sete quilos, que sentia uma sonolência infinita, que não conseguia me concentrar em absolutamente nada, fiquei.
Não muito tempo depois eu acabei saindo.
Eu precisava.
Fugir.
Iansã me falou do amor e que o problema estava dentro da minha cabeça.
Mas então eu precisava de terapia, não de romance.
Eu acho...
Eu sou lenta para me recuperar das coisas.
Porque eu sinto um certo apreço por cavernas...
Então ao invés de correr pro lado de fora, eu preciso lamber as feridas.
É a minha saliva que as sara.
E eu já vivi o tempinho suficiente para entender que elas saram completamente. Não é sem orgulho que eu afirmo que não tenho absolutamente nenhuma questão mal superada.
O passado passa. Mesmo que demore um bocadinho...
Se não fosse a minha mania de entender as coisas, talvez não houvesse mágoa nenhuma (se é que não é um contra-censo juntar no mesmo raciocínio 'entender' com 'oráculo'...).
Mas eu não consigo parar de me perguntar por que ela me disse pra ficar numa situação que me desorganizava tanto. Na verdade, agora, é isso o que mais machuca. Como se eu estivesse perguntando se ela não estava vendo o tamanho da minha dor naquele momento. Ou se ela não me conhecesse o suficiente para entender que nenhum amor direcionado a mim seria mais importante do que as doenças da minha emoção. (Iansã acredita no mito de que 'o amor cura tudo'???). Talvez eu devesse ter uma conversa filosófica com ela a respeito deste assunto...
Iansã, às vezes - muitas vezes, a maioria das vezes - o que chamam de amor, é só um jogo de poder e roubo de energia...
Eu dou um desconto prxs céticos, que apenas dão um riso de canto de boca diante de uma questão como esta.
Mas eu não sou uma cética. Eu acredito em muitas coisas. E uma delas é que existe um ser chamado Iansã que tem alguma relação próxima comigo. Que me ama e que me guarda.
E a sensação que este ser "falhou", me é um pouco insuportável...
Minha Mãe, isto é uma carta, e é uma oração. Para você.
Para escancarar meu coração e fazermos as pazes.
Com amor,
Axé!
Lisa.
Iansã é a dona do meu ori.
Eu fico emocionada quando penso nisso.
É uma honra.
Eu, que recorro aos oráculos todas as vezes que estou numa confusão ou com muita dúvida, fui a um jogo de búzios porque precisava entender umas coisas que eu estava vivendo. Coisas que eu poderia decidir sozinha, mas como sou feliz sendo mística, resolvi ouvir o que os orixás tinham a me dizer.
E os orixás me disseram pra eu ficar; de uma situação que eu queria sair.
Que eu sentia que precisava fugir.
Eu fiquei.
Eu, que já tinha perdido sete quilos, que sentia uma sonolência infinita, que não conseguia me concentrar em absolutamente nada, fiquei.
Não muito tempo depois eu acabei saindo.
Eu precisava.
Fugir.
Iansã me falou do amor e que o problema estava dentro da minha cabeça.
Mas então eu precisava de terapia, não de romance.
Eu acho...
Eu sou lenta para me recuperar das coisas.
Porque eu sinto um certo apreço por cavernas...
Então ao invés de correr pro lado de fora, eu preciso lamber as feridas.
É a minha saliva que as sara.
E eu já vivi o tempinho suficiente para entender que elas saram completamente. Não é sem orgulho que eu afirmo que não tenho absolutamente nenhuma questão mal superada.
O passado passa. Mesmo que demore um bocadinho...
Se não fosse a minha mania de entender as coisas, talvez não houvesse mágoa nenhuma (se é que não é um contra-censo juntar no mesmo raciocínio 'entender' com 'oráculo'...).
Mas eu não consigo parar de me perguntar por que ela me disse pra ficar numa situação que me desorganizava tanto. Na verdade, agora, é isso o que mais machuca. Como se eu estivesse perguntando se ela não estava vendo o tamanho da minha dor naquele momento. Ou se ela não me conhecesse o suficiente para entender que nenhum amor direcionado a mim seria mais importante do que as doenças da minha emoção. (Iansã acredita no mito de que 'o amor cura tudo'???). Talvez eu devesse ter uma conversa filosófica com ela a respeito deste assunto...
Iansã, às vezes - muitas vezes, a maioria das vezes - o que chamam de amor, é só um jogo de poder e roubo de energia...
Eu dou um desconto prxs céticos, que apenas dão um riso de canto de boca diante de uma questão como esta.
Mas eu não sou uma cética. Eu acredito em muitas coisas. E uma delas é que existe um ser chamado Iansã que tem alguma relação próxima comigo. Que me ama e que me guarda.
E a sensação que este ser "falhou", me é um pouco insuportável...
Minha Mãe, isto é uma carta, e é uma oração. Para você.
Para escancarar meu coração e fazermos as pazes.
Com amor,
Axé!
Lisa.
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segunda-feira
Olha... eu não queria que você partisse...
Tá, eu sei, eu não fiz nada, nada mesmo, pra que você ficasse.
Ao invés disso eu lhe joguei um eu-tô-namorando pelos peitos!
É que eu tenho essa mania de perfeição contra-producente; moldada, creia você, nas milhares de baboseiras fantasiosas românticas que tive que engolir a vida inteira! É uma obsessão pela 'magia', que enfiam na cabeça das mulheres...
E lembra daquele encontro? Aquele, depois que você viajou, que passou, sei lá, uns dois meses fora. Foi tão insosso! Tão, tão, aqui pros meus moldes de anti heroína de comédia romântica... É que o senhor é meio taciturno, meio sombrio, não é moço...? E eu com a minha carência monstra, ainda curando ressaca de uma paixão mal vivida, e sendo toda bem cuidada pela menina dos zóio grande que dias antes velou o meu sono numa noite de pesadelos. Neste dia, moço, eu precipitada e ansiosa, me decidi pela menina. Achei excitante o desafio; achei aconchegante o peito macio dela; quis pagar pra ver! (paguei caaaaaro, seu moço!!! rs)
Aí me acostumei a ter você ali, silencioso e meio indiferente, mas, à sua maneira, sempre à postos todas as vezes que precisei resgatar minha autoestima. (é feio usar os outros de remedinho, né? mas você nunca pareceu se incomodar...).
Eu sou inábil, moço, muito inábil, absolutamente inábil, nesse troço de se abrir pro outro entrar.
Eu não enxergo convites, eu interpreto tudo como uma vassoura atrás da porta.
Aí todo mundo vai embora mesmo... Você não foi o primeiro não. Isso é bem ruim pra mim...
Mas eu não queria não ver você cantando pra outra menina...
Que coisa, não?!
Minha burrice amorosa não tem mesmo nenhum limite!
Vixe!
Vá, vá, vá embora.
Eu sempre tenho a expectativa que, de uma próxima vez, eu vou acertar.
Tá, eu sei, eu não fiz nada, nada mesmo, pra que você ficasse.
Ao invés disso eu lhe joguei um eu-tô-namorando pelos peitos!
É que eu tenho essa mania de perfeição contra-producente; moldada, creia você, nas milhares de baboseiras fantasiosas românticas que tive que engolir a vida inteira! É uma obsessão pela 'magia', que enfiam na cabeça das mulheres...
E lembra daquele encontro? Aquele, depois que você viajou, que passou, sei lá, uns dois meses fora. Foi tão insosso! Tão, tão, aqui pros meus moldes de anti heroína de comédia romântica... É que o senhor é meio taciturno, meio sombrio, não é moço...? E eu com a minha carência monstra, ainda curando ressaca de uma paixão mal vivida, e sendo toda bem cuidada pela menina dos zóio grande que dias antes velou o meu sono numa noite de pesadelos. Neste dia, moço, eu precipitada e ansiosa, me decidi pela menina. Achei excitante o desafio; achei aconchegante o peito macio dela; quis pagar pra ver! (paguei caaaaaro, seu moço!!! rs)
Aí me acostumei a ter você ali, silencioso e meio indiferente, mas, à sua maneira, sempre à postos todas as vezes que precisei resgatar minha autoestima. (é feio usar os outros de remedinho, né? mas você nunca pareceu se incomodar...).
Eu sou inábil, moço, muito inábil, absolutamente inábil, nesse troço de se abrir pro outro entrar.
Eu não enxergo convites, eu interpreto tudo como uma vassoura atrás da porta.
Aí todo mundo vai embora mesmo... Você não foi o primeiro não. Isso é bem ruim pra mim...
Mas eu não queria não ver você cantando pra outra menina...
Que coisa, não?!
Minha burrice amorosa não tem mesmo nenhum limite!
Vixe!
Vá, vá, vá embora.
Eu sempre tenho a expectativa que, de uma próxima vez, eu vou acertar.
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quinta-feira
Eu vou lá, bato na porta do oráculo e peço sua opinião.
É uma forma de conseguir alento, e de sanar as dúvidas, e pedir orientação, e de ter uma decisão referendada.
Acontece, que nos assuntos do amor, os orixás têm uma visão muito diferente da minha. Eles têm me pedido convivência, todas as vezes que eu vou lá dizer que estou prestes a sair correndo.
Desta vez me disseram "é hora de enxergar o outro". E eu, mais uma vez, não consegui.
Injusto demais, sinto eu, ter que medir palavras e viver em sobressalto, e ter que estar a provar um sentimento a todo momento.
Este texto é bobo, eu sei.
Talvez eu seja apenas uma pessoa muito egoísta e individualista.
Ou talvez eu não aceite de jeito nenhum que qualquer tipo de sacrifício seja necessário no exercício de partilhar a vida com alguém.
Já repeti isso um sem número de vezes: dos preços a serem pagos, eu escolho pagar o de ficar sozinha.
Estou chata, repetitiva; eu sei.
É preciso gastar os assuntos.
É preciso esvaziar a alma daquilo que está a lhe apertar as veias.
Eu não poderia seguir. Não poderia.
Sou mais heterossexual do que gostaria.
Sou mais doente emocionalmente do que imaginava.
E sinto um pânico paralisante de me perder de mim.
Não vou falar mais disto.
Vou mudar as cores do blog, vou reorganizar meu espaço individual e vou fazer terapia.
Viver é tudo isso.
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segunda-feira
Depois de quatro dias dormindo cinco da manhã e acordando duas da tarde, era esperar muito do meu corpo notívago achar que só porque o feriado acabou e segunda é o dia mais cheio da minha semana, eu iria conseguir dormir no horário de gente normal. E é nessa hora que a velhice começa a mostrar-se: não sou mais imune a noites insones. A segunda vai ser dose! Yansã, valei-me!
Depois de umas pequenas férias da vida virtual senti saudade e voltei.
Mas foi bom dar uma parada.
Eu estava saturada.
De:
1 - As pessoas formularem opiniões ao meu respeito de acordo com as minhas postagens no facebook (mais opiniões bacanas do que ruins, até onde eu saiba, mas não necessariamente corretas, já que limitadas). O problema aqui é que os espectadores virtuais da sua vida criam uma persona lá na cabeça deles a respeito de quem você é. Principalmente se você é uma louca compulsiva, com aspirações literárias, bandeiras políticas e opiniões irônicas a respeito dos fatos, como eu era. Eu postava durante todo o tempo. Pessoas com quem eu nunca troquei muitas palavras falavam comigo como se me conhecessem. Como fazê-las perceber que aqueles aspectos que eu escolhia mostrar na rede social eram apenas um pedaço de mim? Um pedaço planejado, calculado, rascunhado, revisado? Como me proteger da imagem que era formada na cabeça de gente que nunca passou nem uma hora inteira comigo? Como me libertar da tarefa de ser A Feminista Sempre a Postos? Como degustar o meu total (fragmentado, contraditório, vacilante, ilógico) se a vida virtual edita?
2 - As mazelas do mundo.
Sim, este mundo é foda.
E eu sou mulher, pobre, bissexual, latina, nordestina, fora do padrão de beleza.
É um tanto mais foda pra mim. Principalmente porque eu não me agarro aos poucos privilégios de que usufruo.
Mas cansei de sofrer por conta do mundo. E as redes sociais são um caldeirão delas. Estavam desorganizando o meu já instável equilíbrio emocional.
3 - Minhas carências.
Redes sociais podem fazer você se sentir amado. E eu fiquei assustada quando me dei conta de que estava sentindo necessidade disso.
Tive uma crise de choro e resolvi que não era mais possível adiar a terapia.
(me afastei da rede social, mas a terapia continuo adiando...)
Por fim, eu precisava viver meu namoro sem fantasmas.
E é impressionante como nas redes sociais as interferências são muito mais assustadoras.
Espero que tudo tenha amadurecido.
Que tudo tenha criado um corpo mais forte e estrutura capaz de manter a paz interna diante das circunstâncias.
Quando digo tudo, estou dizendo tudo: jazz das identidades, capacidade de viver - ainda que neste mundo, desestruturante sensação de afinal-valho-quase-nada-nesta-merda-de-vida, e namoro.
Que tudo seja mais doce e mais bonito.
Acreditar que as coisas serão mais felizes é a utopia básica do ser humano.
Depois de umas pequenas férias da vida virtual senti saudade e voltei.
Mas foi bom dar uma parada.
Eu estava saturada.
De:
1 - As pessoas formularem opiniões ao meu respeito de acordo com as minhas postagens no facebook (mais opiniões bacanas do que ruins, até onde eu saiba, mas não necessariamente corretas, já que limitadas). O problema aqui é que os espectadores virtuais da sua vida criam uma persona lá na cabeça deles a respeito de quem você é. Principalmente se você é uma louca compulsiva, com aspirações literárias, bandeiras políticas e opiniões irônicas a respeito dos fatos, como eu era. Eu postava durante todo o tempo. Pessoas com quem eu nunca troquei muitas palavras falavam comigo como se me conhecessem. Como fazê-las perceber que aqueles aspectos que eu escolhia mostrar na rede social eram apenas um pedaço de mim? Um pedaço planejado, calculado, rascunhado, revisado? Como me proteger da imagem que era formada na cabeça de gente que nunca passou nem uma hora inteira comigo? Como me libertar da tarefa de ser A Feminista Sempre a Postos? Como degustar o meu total (fragmentado, contraditório, vacilante, ilógico) se a vida virtual edita?
2 - As mazelas do mundo.
Sim, este mundo é foda.
E eu sou mulher, pobre, bissexual, latina, nordestina, fora do padrão de beleza.
É um tanto mais foda pra mim. Principalmente porque eu não me agarro aos poucos privilégios de que usufruo.
Mas cansei de sofrer por conta do mundo. E as redes sociais são um caldeirão delas. Estavam desorganizando o meu já instável equilíbrio emocional.
3 - Minhas carências.
Redes sociais podem fazer você se sentir amado. E eu fiquei assustada quando me dei conta de que estava sentindo necessidade disso.
Tive uma crise de choro e resolvi que não era mais possível adiar a terapia.
(me afastei da rede social, mas a terapia continuo adiando...)
Por fim, eu precisava viver meu namoro sem fantasmas.
E é impressionante como nas redes sociais as interferências são muito mais assustadoras.
Espero que tudo tenha amadurecido.
Que tudo tenha criado um corpo mais forte e estrutura capaz de manter a paz interna diante das circunstâncias.
Quando digo tudo, estou dizendo tudo: jazz das identidades, capacidade de viver - ainda que neste mundo, desestruturante sensação de afinal-valho-quase-nada-nesta-merda-de-vida, e namoro.
Que tudo seja mais doce e mais bonito.
Acreditar que as coisas serão mais felizes é a utopia básica do ser humano.
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quarta-feira
Da série: Livramentos
Hoje, na volta pra casa, pouco antes das 19h, na rua principal do Garcia, uma estaca de ferro de um prédio em construção caiu em cima de mim.
Passou de raspão pelo meu braço esquerdo.
Sujou a manga da blusa, ralou o meu braço e a minha mão.
Eu gritei na hora. Mais pelo susto.
Todo mundo na rua gritou também.
Inclusive os trabalhadores da construção, que desdenharam do que tinha acontecido, falando que não precisava "tanto".
Fiquei com raiva do descaso, entrei num táxi, e fui numa delegacia registrar um BO.
Depois ainda fiquei quase uma hora no IML pra fazer o Exame de Corpo de Delito.
Não foi nada. Só dois raladinhos. Mas, por 20 centímetros, não caiu na minha cabeça.
Minha mãe havia dormido aqui e, na hora que eu saí de manhã pra ir trabalhar ela me disse "Deus acompanhe!", mas eu nem ouvi.
Ela passou o dia aqui. E agora, quando contei, ela me disse que quando saí pela manhã, sentiu um aperto no peito e passou longos minutos orando por mim.
E só agora, ouvindo o relato dela, que a minha ficha caiu.
Vou tomar banho, comer e dormir. Amanhã seguirei o meu dia normalmente.
Agradeço aos meus guias, meus anjos, meus deuses, meus orixás.
Agradeço à minha mãe pela intuição e oração.
Agradeço às pequenas belezas sempre presentes na minha vida.
Só agradeço.
Com toda a imensidão do meu peito.
Tudo continua intacto.
Então apenas, e agora mais consciente, agradeço.
Hoje, na volta pra casa, pouco antes das 19h, na rua principal do Garcia, uma estaca de ferro de um prédio em construção caiu em cima de mim.
Passou de raspão pelo meu braço esquerdo.
Sujou a manga da blusa, ralou o meu braço e a minha mão.
Eu gritei na hora. Mais pelo susto.
Todo mundo na rua gritou também.
Inclusive os trabalhadores da construção, que desdenharam do que tinha acontecido, falando que não precisava "tanto".
Fiquei com raiva do descaso, entrei num táxi, e fui numa delegacia registrar um BO.
Depois ainda fiquei quase uma hora no IML pra fazer o Exame de Corpo de Delito.
Não foi nada. Só dois raladinhos. Mas, por 20 centímetros, não caiu na minha cabeça.
Minha mãe havia dormido aqui e, na hora que eu saí de manhã pra ir trabalhar ela me disse "Deus acompanhe!", mas eu nem ouvi.
Ela passou o dia aqui. E agora, quando contei, ela me disse que quando saí pela manhã, sentiu um aperto no peito e passou longos minutos orando por mim.
E só agora, ouvindo o relato dela, que a minha ficha caiu.
Vou tomar banho, comer e dormir. Amanhã seguirei o meu dia normalmente.
Agradeço aos meus guias, meus anjos, meus deuses, meus orixás.
Agradeço à minha mãe pela intuição e oração.
Agradeço às pequenas belezas sempre presentes na minha vida.
Só agradeço.
Com toda a imensidão do meu peito.
Tudo continua intacto.
Então apenas, e agora mais consciente, agradeço.
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Se o mundo não acabar, eu vou olhar para 2013 pedindo que os meus dias sigam cadenciados por uma rotina, e que as minhas conquistas sejam básicas, cotidianas.
Demandas simples e possíveis.
Prazeres pequenos: comida boa, livro interessante e cafuné.
Nada de urgências! Chega de urgências! Tomei horror a elas!
Nada de perguntas sem respostas.
Nada de perguntas, na verdade...
Quero o calor morno de quem aceita.
Que as minhas análises me sirvam, porque sinto prazer com elas. Mas que isso baste.
Os amigos.
O amor.
Mas sem discussão de ideias.
Estou cansada! (o que restará?)
Assistir novela, pintar a unhas, cuidar do gato, trabalhar.
Deita aqui do meu lado, 2013. Vem tirar essa sesta comigo...!
Demandas simples e possíveis.
Prazeres pequenos: comida boa, livro interessante e cafuné.
Nada de urgências! Chega de urgências! Tomei horror a elas!
Nada de perguntas sem respostas.
Nada de perguntas, na verdade...
Quero o calor morno de quem aceita.
Que as minhas análises me sirvam, porque sinto prazer com elas. Mas que isso baste.
Os amigos.
O amor.
Mas sem discussão de ideias.
Estou cansada! (o que restará?)
Assistir novela, pintar a unhas, cuidar do gato, trabalhar.
Deita aqui do meu lado, 2013. Vem tirar essa sesta comigo...!
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De todas as coisas que eu considero poderosas, finalmente consegui vivenciar uma delas.
SE DEIXAR AFETAR.
Abrir bem os pulmões e respirar seja lá o que for.
Não deve ser à toa que afetar lembra afeto...
É não sentir pudor em sentir.
Os encontros são poderosos. Uma arma infalível para o autoconhecimento - se não tentamos nos proteger deles.
Não há do que envergonhar. A fragilidade, quando assumida, é irmã gêmea da força.
Quando encarada, revela-nos uma titã diante do espelho.
E embora isso não seja uma ode à tristeza, eu, de mãos dadas com os percalços do caminho, sigo.
** tão mais feliz! **
SE DEIXAR AFETAR.
Abrir bem os pulmões e respirar seja lá o que for.
Não deve ser à toa que afetar lembra afeto...
É não sentir pudor em sentir.
Os encontros são poderosos. Uma arma infalível para o autoconhecimento - se não tentamos nos proteger deles.
Não há do que envergonhar. A fragilidade, quando assumida, é irmã gêmea da força.
Quando encarada, revela-nos uma titã diante do espelho.
E embora isso não seja uma ode à tristeza, eu, de mãos dadas com os percalços do caminho, sigo.
** tão mais feliz! **
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Desde que eu comecei a cortar os cabelos muito curtos (e depois passei a raspar), eu inaugurava assim uma nova fase. Um novo momento. Um redirecionamento de dentro para fora. Mas eu não tinha consciência que estabeleci (ou inventei agora!) este símbolo. E da mesma forma, deixar os cabelos crescerem, cuidar deles, é o movimento contrário. É dizer "agora vamos com calma, vida; é tempo de maturação". O detalhe é que eu, geminiana, devo ser viciada em novos ciclos, pois os meus cabelos nunca mais conseguiram chegar nos ombros...
** é hora de deixar crescer novamente **
** é hora de deixar crescer novamente **
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![Foto: Eu não ando só.
Não é uma metáfora.
Eu
não
ando
só.
Não é uma religião também.
Não sigo religião alguma.
Nem mesmo esta, de onde vêm estes que não vejo, não entendo, não explico mas, mesmo assim, e com toda a intensidade, amo.
Não sou também "Deus Também" (ou sou... afinal este texto está com muitos 'nãos'...).
Mas daqui, de onde posso falar com certeza, só posso afirmar que sou um espírito sem lembranças, encarnado neste mundo que não gosto (tá... às vezes eu gosto.)
Gosto de vê-los mais como amigos, e me desculpe se isto soa como desrespeito ou heresia.
Mas é verdade.
Gosto de vê-los mais como irmãos. Como companheiros da viagem.
É certo que os demando muitos pedidos, e isto não parece tanto com uma amizade equilibrada, mas os retribuo do jeito que posso, do jeito que sei.
Este texto é uma forma.
Eu não ando só!
Porque não quero e porque não preciso.
Pois há uma mulher vermelha sempre ao meu lado. Desde antes que eu nasci. Ela me faz ser esta substância sem matéria que não se pega, não se guarda e não se molda. Eu sou vento. Eparrei, Iansã!
Há um velho curvado que não mostra o rosto, da cabeça aos pés coberto de palhas. Ele me ampara. Ele me nina. Ele me cuida. ELE ME CURA. Omulú anda comigo e é ele próprio quem me cura. Atotô!
Não foi Nanã que me escolheu.
Fui eu que escolhi ela.
Eu precisava tanto de silêncio!...
(onde mais eu ia achar?)
Eu tinha uma birra imensa com Oxum. Aqui do meu jeito herege de lidar com os orixás. Eu achava desleal. Eu morria de inveja (em termos mais técnicos pode ser chamado de Sérios Problemas de Autoestima). Mas sabe o que uma inveja curada vira? Vira uma Admiração Transformadora.
Então foi neste caminho de cura que Oxum entrou na minha vida. Um dia ela me puxou pelo braço e disse "tá bom filha de Iansã, chata, para de apontar essa porra dessa espada pra mim e senta aqui que eu vou te dar umas coisas!" (mentira que ela não falou assim... [risos] é que, na moral, é muita sinuosidade, eu não sei reproduzir!)
Mas, olha, Oxum não entrou na minha vida porque ela perdeu a paciência (que falta de paciência é um charme reservado à nós, né, Mãe? rs).
Oxum entrou na minha vida porque ela viu que eu precisava.
Foi um ato motivado pelo desejo de ver o outro feliz.
Quando isto não representa nenhum prejuízo para quem está ofertando a ajuda, creio que pode ser chamado de Um Ato de Amor.
O pedaço mais longo do texto foi para falar de Oxum. Acho que isto alimenta a vaidade dela (rs). E nem foi de caso pensado nem nada, apenas fui escrevendo, escrevendo, escrevendo. 'Tá vendo, Rainha, eu também fico boba, encantada e perco a hora quando olho pra você...
(um beijo de batom vermelho na ponta do seu espelho!)
Eu sei que este texto parece literatura, mas não se engane.
É um Testemunho.
A minha saudação de amor àqueles que caminham comigo.
Povo da Rua, Caboclos, Êres, minha Iansã, meu Omolú, minha Nanã, minha Oxum.
É gente demais para sequer passar pela minha cabeça que um dia eu andei, ou vou andar só!
ASÈ!](https://fbcdn-sphotos-f-a.akamaihd.net/hphotos-ak-prn2/t1.0-9/s526x296/10167944_10203007591144501_4912774140976642898_n.jpg)