segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Não, eu ainda não nasci, mas é que mesmo comigo morta, o trabalho continua. E hoje, durante o meu ensaio, uma amiga me ligou. Aí conversa vai, conversa vem, ela deu uma leve reclamada do namorado dela. E eu lembrei uma Frase Infame que ela já me disse; e que me disse que as amigas dela dizem. É uma Frase Infame que muitas mulheres dizem – dizem muito! (Eu – verdade - , nunca disse; já disse outras, tantas outras Frases Infames, mas essa não. Porque sempre soube, muitíssimo bem, o valor do meu prazer).

- Ele só queria me comer...!

A minha amiga não disse, hoje, a tal Infame, mas eu, voltando do ensaio pra casa, fiquei pensando em como seria o nosso diálogo caso ela tivesse dito. Porque uma das coisas que mais me divertem nesse mundo é ficar criando conversas imaginárias, que eu adoraria que tivessem acontecido na realidade. Então, seria assim:

- Ele só queria me comer...!

- Se você queria trepar também – 'tá reclamando de quê????

E se não queria – trepou com ele por quê??????????????????????????????

E essa seria a réplica:

- Mas é que eu não queria só transar... eu queria algo mais...!

Logo, a minha tréplica:

- Então aí a queixa é outra! – sendo que ele tem todo o direito de não querer algo mais com você!!! Só não se reduza a esse lugarzinho de objeto vulnerável e passivo, peloamordedeus!

E aí, pronto! Menos um problema na humanidade.

Mas a cena acima só aconteceu dentro da minha cabeça. Mas a chance de um dia vir a acontecer na vida real (não necessariamente com a dita amiga) é de 100%. E eu vou guardar as falas na memória pra usar, com pompa e circunstância, na ocasião!

Fiquei com vontade de enfiar elas no meu solo. Mas eu não posso... (rs) estou fazendo o exercício de metaforizar tudo o que a minha cabeça analítica e descritiva teima em dizer LITERALMENTE.

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domingo, 8 de novembro de 2009

Estou em pausa. Pronto! Não consigo escrever porque estou em pausa. Pronto.
É que eu desisti de ser escultora; tenho falado tando disso! escultora da vida....... oooooooh!!!!
Porque é o seguinte: eu sempre me escalifei toda pensando que podia conseguir fazer com que as coisas fossem do meu jeito. Planejando, organizando, DESEJANDO, tomando atitudes, posicionamentos, concluindo as provaveis reações às minhas ações........ e por aí vai, infinitamente.
Dentro da minha cabeça sempre coube a minha vida inteira.
Aí eu fui cansando...
não vou explicar. não sei explicar!
Há umas semanas atrás eu disse: estou morrendo.
Agora eu morri.

Assim que eu nascer eu volto.

Beijo na bunda!

A Temperança



sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Totem


quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Acontece que eu não sei escrever linhas de cama.
Porque ele veio.
Veio bem no seu feitio: na última da hora, falando devagar e me engolindo com o seu abraço. E eu, incompetente escultora do futuro, o recebi. E foi a primeira vez que não senti medo de perdê-lo para a sua liberdade.
Porque foi a primeira vez que abri mão dele.
Fiquei em silêncio observando como ele consegue ser tudo que eu acredito, mas só sei falar bonito.
Se dias antes eu tinha gritado - não sei lidar com seu tempo meditativo! Eu, que incompetentemente tento moldar o futuro... Nunca consegui. Desisti!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Coisa de menina!

Esse final de semana, no trabalho, aconteceu uma coisa muito interessante!

Eu contei uma história de princesa.
A Princesa Jia - que eu mudei pra Princesa Sapa, porque achei que ficava melhor pra visualizar.
Três irmãos saem pelo mundo a procura de trabalho e esposas. Dois deles, pelo que diz o senso comum, se dão bem, encontrando castelos suntuosos e moças bonitas e prendadas. Mas um deles, depois de muito caminhar, morto de fome e cansaço, só consegue encontrar um escombro nojento, onde uma voz misteriosa o recebe e uma jia (a sapa) lhe faz compainha e manda presentes para ele entregar aos pais. Nisso passam 3 anos e os pais pedem que os filhos, no ano seguinte, levem as noivas para eles conhecerem. E a tal sapona lembra isso a ele no momento em que tem que voltar pra casa. E ele diz: mas eu não tenho noiva! E ela responde: como não?! eu sou a sua noiva! O moço, constrangidíssimo, fica calado, afinal a sapona tinha sido tão hospitaleira... O fato é que lá pelas tantas ele sente um certo carinho misericordioso pela sapona babenta, e ajuda ela a se equilibrar num galo (seu meio de transporte) e plim-plim-plim-plim!, a mágica acontece!
- A sapona babona se transformou em quê? - eu perguntei.
- Numa princeeeeesa! - as crianças reponderam.
E, seguindo uma idéia que me ocorreu na hora (quase sempre eu me valio de súbitos-lampejos-cara de pau-de-criatividade, e os incluo na história), eu falei:
- Mas ela se transformou numa princesa super, hiper, mega, incrivelmente linda?
- Siiiiimmmmm!!!! - responderam todas em coro.
Rebati: Nãaaoooooo!!!! Ela se transformou numa princesa normal, com um cabelo normal, um vestido normal, uma cara normal e uma voz normal, como qualquer uma de nós poderíamos ser.
rs
As mães compartilharam mais do meu arremedo na história do que as crianças. Mas eu não sou uma arte-EDUCADORA? Pois então! Vamos tentar salvar as gerações futuras dos estereóticos-sufocantes-e-excludentes - não é mesmo? hahahaha

Mas teve uma outra coisa nesse mesmo dia:

Coincidentemente, tinha uns adesivos com as princesas da Disney pra dar de brinde. Aproveitei e incluí a distribuição na introdução pra história. E não esqueci de acrescentar (como boa arte-educadora contemporaneamente politicamente correta que sou) que existem outras princesas que não estão retratadas ali, como as princesas africanas, japonesas, e que até aqui no Brasil já teve princesa!
Pois bem!
Só havia dois meninos nesse dia. E eu, obviamente, ofereci os adesivos para TODAS AS CRIANÇAS PRESENTES. Um dos meninos era bem pequeno e aceitou; o outro, já com uns 5 anos, olhou o papel, me olhou mal humorado e perguntou: não tem de carro não?
Eu ri, disse que não, e fiquei me perguntando uma pergunta bem eterna: a gente nasce sabendo o que é coisa de menino e o que é coisa de menina, ou a gente APRENDE?
Um pouco depois aconteceu uma coisa que exemplificou a minha opinião sobre a questão (porque eu acho que a gente, infelizmente, APRENDE! sem nem ter a chance de escolher voluntariamente).
Uma mãe chegou depois que eu já havia contado a história, mas viu os adesivos e pediu um pro filho dela.
Eu dei.
Ela perguntou:
- Não tem de carro , não?
- Não.
- Mas tinha que ter, pros meninos!
- Menino não pode ter adesivo de princesa? - honestamente perguntei.
- Não, 'né!
- Mas por que não?
- Não... se ele chegar com isso aqui em casa, o pai não vai gostar.
E eu dei o assunto por encerrado. Até porque eu não estou ali pra discutir estereótipos de gênero, e sim para contar estórias infantis.

êa!

domingo, 1 de novembro de 2009

quem disse que eu sou, quem disse que eu sei, quem disse que é seu? no silêncio do quarto fechado eu sou trio elétrico em mim. quero dormir não consigo, mãos de escultora, a vida não é barro não, minha filha!
silêncio.
não ouça promessas, não siga sorrisos, duas despedidas seguidas eu não consigo.

consigo.

não faça comigo um samba se eu só sei dançar iê iê iê

minha caixa bonita de laço de fita anda tão cheia que quase não fecha.
mas, creia: há lugar pra você.

ah... vá embora menino bonito do olho moreno!
vá embora.

sábado, 31 de outubro de 2009

Não escolha só o doce, em detrimento do salgado.
Não diga que o frio é melhor do que o quente, e que você prefere subir do que descer. Porque a vida são todas essas coisas!
A vida também é tristeza, também é vazio, também é enjôo, incômodo e agonia. Sim! Também é.
A vida é um casamento. A união dos dois lados – com todas as suas nuances.
Viver é tudo, pois então!
Pare de validar as comemorações e tentar fugir das frustrações. A respiração continua em todos os casos.
Aceite.
Aceite o outro lado da cara.
Permaneça.
Seja.
No momento este da sua vida.
O que fazer diante de um silêncio ensurdecedor?

Ouví-lo.

O meu O Louco está às portas. Um parto difícil - mas ele vem.

O meu O Louco está às portas. Por favor, venha! Um coração pulsante o espera. O amo tão profundamente e tão desesperadamente que quase sucumbo.

A minha vida desejosamente o espera.

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O Louco é impulso de vida, é a busca do novo sem pensar em nada do que foi implantado em nossa mente. O Louco está livre da mente do predador!!! Tudo bem... ele também não está ciente da existência da mente do predador e talvez por isso esteja exposto aos seus efeitos nas outras pessoas. Por outro lado, basta olharmos para ele, caminhando com sua pequeníssima bagagem, acompanhado por seu cachorrinho, para compreendermos que ele também não está nem aí para as outras pessoas. Sua pureza o protege. Sua liberdade o protege.  -  VIA TAROT





(roubei essa imagem daqui)